
Uma pesquisa inédita da Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (15 de janeiro de 2026), revela que a opinião pública brasileira está dividida, mas tende a apoiar a recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. De acordo com o levantamento, 46% dos brasileiros aprovam a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, enquanto 39% desaprovam a ação e 15% não souberam ou preferiram não opinar.
O apoio à investida americana é fortemente influenciado pelo viés ideológico: 71% dos eleitores identificados com o bolsonarismo aprovam a ação, ao passo que 62% dos lulistas se posicionam contra. Questionados sobre as motivações de Donald Trump, 31% dos entrevistados acreditam que o combate ao narcotráfico foi o principal motor, seguido pela restauração da democracia (23%) e pelo controle das reservas de petróleo (21%).
Apesar da aprovação majoritária, o estudo detectou uma preocupação latente com a soberania nacional. Cerca de 58% dos brasileiros admitem ter medo de que os Estados Unidos realizem uma operação semelhante em solo brasileiro no futuro. Esse receio é mais acentuado entre os apoiadores do governo Lula (74%), mas também atinge mais da metade (57%) dos eleitores de direita, evidenciando uma desconfiança generalizada sobre os limites das intervenções estrangeiras.
A postura oficial do governo brasileiro também foi avaliada e sofreu resistência da maioria. O presidente Lula, que classificou a captura como uma “afronta inaceitável” e um “sequestro”, teve sua reação considerada errada por 51% dos entrevistados, contra 37% que o apoiaram. No entanto, o impacto eleitoral dessa posição parece limitado, já que 71% afirmam que a crise venezuelana não influenciará sua decisão de voto nas eleições presidenciais deste ano.
No campo diplomático, a pesquisa aponta que a neutralidade é o caminho preferido pela população. Para 66% dos brasileiros, o país deve evitar tomar partido nas ações de Washington, enquanto apenas 18% defendem um apoio aberto e 10% pedem uma oposição ativa. Esse pragmatismo reflete o desejo de evitar o envolvimento direto do Brasil em um conflito regional de grandes proporções.
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada presencialmente com 2.004 cidadãos de 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de janeiro. O levantamento possui uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e um nível de confiança de 95%. Os dados surgem em um momento de incerteza em Caracas, onde a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente em meio a novos ultimatos da Casa Branca.

